Espetáculo Passagem: Da arte de batucar em copo d’água
por O Caxiense | 06/08/2010 às 12:01
Os irmãos Gustavo e João Viegas, juntamente com a produtora Katherine Brusa, visitaram duas reservas indígenas, uma em Cacique Doble e outra em Mato Preto. Lá, encontraram índios Kaingang e Guarani, respectivamente. Também visitaram casas da religião afro em Viamão, Porto Alegre e aqui em Caxias. Viagem para observar função dos instrumentos e sua ligação com a espiritualidade. Tudo para absorver a relação que estas melodias travavam com a religião. E, ao absorvê-las, transformá-las em outras sonoridades, juntando um pouco de rock, de música popular brasileira, de jazz. Vários ritmos se misturando, sempre respeitando a origem étnica da ideia. De acordo com o baixista Gustavo, quem mais contribuiu foram os batuques.
O povo Kaingang foi o de menos colaboração musical, mas para compensar apresentou um dos instrumentos mais interessantes: uma espécie de berimbau de boca. Os instrumentos utilizados passeiam dos mais comuns, como bateria, percussão, baixo, guitarra e violão, até chegar nos mais lúdicos e representativos, como o tal berimbau, bacias d’água e até uma harpa de vidro. Esta última consiste em copos e recipientes de vidros com quantidades diferentes de água.
Ao vibrar, cada um emite um som diferente. Há também um violino, que representa um instrumento Guarani chamado ravé, parente da rabeca nordestina. A representatividade é uma forma de simbolizar os instrumentos pesquisados e trazê-los aos ouvidos do público. Passagem ganhou esse nome pela maneira cronológica em que foi concebido. Foram compostas músicas para cada fase da vida de uma pessoa. O ponto comum entre todos entrevistados durante as viagens foi que contaram suas vidas e trajetórias, o que inspirou a ordem. Retratados musicalmente, estão desde o nascimento até a morte e, em seguida, a volta ao mundo espiritual, tudo baseado nas histórias ouvidas e crenças dos povos.
Para eles, aqui é uma experiência depois da qual voltamos para o outro lado. Quem assistiu Passagem no ano passado não vai vê-lo repetir fórmulas. “Mudou a cara do espetáculo. As músicas estão mais maduras. Antes era uma fase de experiência”, diz Gustavo. Seu outro irmão, André, também parte do show, conta que um dos motivos da mudança é a gravação do DVD, pelo Financiarte, ainda em fase de pós-produção. “Não é o produto final”, avisa. Acompanhando a trinca Viegas, os músicos Juliano Brito, Cássio Vianna, Lucas Secconi e Rodrigo Maciel. Enquanto se aguarda o resultado audiovisual, que provavelmente será lançado no final do ano e complementará o projeto, pode-se conferir a única apresentação como maneira de se aproximar de raízes que podem não ser suas, mas que mostram a beleza da diversidade cultural. Bem intitulado o cartaz do espetáculo, com a frase “quem se prende à terra batida que encontra pelo caminho esquece de olhar para o céu”. O céu é o limite para os donos da criatividade e da mente aberta.
Passagem | Sexta (6), 20h30 |
Experiência em tribos indígenas e casas de batuque transformaram-se na inspiração dos irmãos André, Gustavo e João Viegas.
Teatro Municipal – Casa da Cultura
R$ 12 (público em geral) e R$ 6 (estudante e sênior) | Dr. Montaury, 1.333 | 3221-3697
Foto: Roberta Viegas, Divulgação/O Caxiense
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