Moradores de rua na Os Dezoito do Forte preocupam vizinhança
por Robin Siteneski | 06/08/2010 às 12:00
A presença de moradores de rua no edifício Américo Garbin, na Rua Os Dezoito do Forte, onde fica a Livraria Do Arco da Velha, tem incomodado o comércio e vizinhos. Segundo o sócio da livraria, Guilherme Ramos Martinato, há aproximadamente duas semanas, três sem-teto têm dormido sob a marquise em frente ao prédio. Eles chegam depois do horário comercial e saem pela manhã.
“Já fiz o que podia fazer, liguei para a FAS (Fundação de Assistência Social) e para a Brigada Militar. Os vizinhos reclamam que não podem mais entrar no prédio, se sentem intimidados”, conta Guilherme, que diz que, às vezes, mais pessoas dormem sob a marquise. O número já chegou a oito.
O livreiro afirma que já acionou a BM duas vezes, mas os moradores de rua sempre retornam no dia seguinte da retirada. Além do pedido de esmolas, os residentes do prédio reclamam da sujeira deixada pelos sem-teto, restos de comida e, ocasionalmente, o cheiro de urina e vômito. Guilherme reconhece que este não é um problema isolado perto de sua livraria.
“É uma dificuldade na cidade inteira. Há dois anos não se via tanto. E nem a FAS nem a BM podem fazer nada. Cada um faz o que pode, mas ninguém resolve”, reclama.
A presidente da FAS, Maria de Lurdes Fontana Grison, afirma conhecer o impasse.
“Eles já foram abordados várias vezes, são usuários de álcool e droga, mas, negam a nossa ajuda. Alguns até se recusam a dar o nome. Não temos como obrigá-los a sair. Algumas pessoas não entendem que eles têm o direito de ir e vir. Não adianta colocá-los no Paulo Guedes de forma forçada”, alega.
Maria diz que, nestes casos, a fundação oferece o Abrigo Municipal, a Casa de Passagem São Francisco e a Clínica Professor Paulo Guedes para tratamento contra a drogadição. Internações compulsórias só acontecem quando o sem-teto está colocando sua vida ou a de outros em risco.
“Na noite de ontem, por exemplo, dois moradores de rua pediram para dormir no Albergue. Oferecemos tratamento, mas eles foram embora pela manhã. Todos nós gostaríamos que eles se tratassem, no entanto para a pessoa que tem a doença é difícil porque qualquer proposta significa deixar a droga e seguir uma disciplina, sem mudar a rotina não há como deixar o vício.”
Sobre os moradores que ocupam o prédio na Os Dezoito do Forte, Maria revela que nem todos são caxienses. Um deles é de Três Coroas e outro de Vacaria. Outras áreas que também passam por situação semelhante são, segundo a presidente da FAS, o bairro São Pelegrino, o Parque dos Macaquinhos e o estacionamento da prefeitura.
Publicado às 13h01 de 6 de agosto de 2010.
















Comentários
6 de August de 2010 às 14:39
Infelizmente a FAS ao dizer que alguns não são de Caxias parece dizer que o problema não é da cidade ou da FAZ; me parece a resposta da FAS é NÃO HÁ QUE POSSA SER FEITO, e assim os cidadãos e lojistas que pagam seus imposto corretamenete devem permanecer se sentido acuados pela situação;
acho insatisfatória a resposta da FAS e tenho esta como a resposta da Prefeitura de Caxias do Sul,
Graziela
7 de August de 2010 às 18:07
Além do que a Graziela citou acima, insatisfatório também é a FAS dizer que essas pessoas têm o direito de ir e vir. Concordo, mas elas não têm o direito de ficar, permanecer em lugares inadequados e ainda por cima produzindo sujeira (restos de comida)e os lojistas que se virem em limpar.
O centro da cidade está em decadência e tudo leva a idéia que ficará igual ao de Porto Alegre.
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