Intercom 2010 chega ao fim na UCS
por Robin Siteneski | 06/09/2010 às 17:21
A Universidade de Caxias do Sul foi um lugar diferente nos últimos dias. A variedade de sotaques e a movimentação dos 3.163 congressistas impressionaram quem passou pela UCS. O motivo foi o Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação (Intercom), que começou na quinta (2) e termina hoje (6). Depois que o congresso acabar, removidas as placas de indicação dos blocos e retomadas as aulas, o legado do evento vai ser maior do que a pintura do Bloco T, refeita por causa do congresso.
“O Intercom vai deixar a comunicação mais fortalecida na UCS e em Caxias. Vai facilitar parceiras para trazer um mestrado próprio. Estamos negociando para trazer o congresso da Asociación Latinoamericana de Investigadores de la Comunicación (Alaic) de 2011”, projeta a coordenadora local do Intercom, Marliva Vanti Gonçalves.
Entre os pesquisadores e profissionais que estiveram na UCS, José Marques de Melo, referência nas pesquisas acadêmicas de jornalismo e presidente da Cátedra da Unesco de Comunicação, foi um dos destques. José Marques também presidiu a Comissão que elaborou novas diretrizes curriculares para os cursos de jornalismo de todo o país.
“Ouvimos a sociedade e chegamos à uma série de diretrizes que são bem heterodoxas. As pessoas esperam uma grade curricular, mas a universidade não é prisão. O novo plano incita a liberdade de formação”, comentou José Marques durante o seminário Luiz Beltrão: 50 anos de um clássico do jornalismo brasileiro, na tarde de sexta. O pesquisador, que foi o primeiro doutor em Jornalismo no Brasil, defende que os cursos de Jornalismo sejam separados de outras áreas da comunicação.
“O MEC (Ministério da Educação) vai reconhecer cerca de 90 cursos superiores no Brasil. A universidade que quiser ser reconhecida pelo Ministério vai se adequar”, diz José Marques. As novas diretrizes para os cursos de Jornalismo atualmente aguardam aval do Conselho Nacional de Educação (CNE). Segundo o professor, o processo anda “a passos de tartaruga”. José Marques também revelou que não é a favor da obrigatoriedade do diploma de jornalista, destituída pelo Supremo Tribunal Federal no ano passado.
“Sou a favor do diploma, não da obrigatoriedade.”
O Intercom também recebeu, além de pesquisadores, profissionais da comunicação. Um deles, Bob Fernandes, editor-chefe do Terra Magazine, falou sobre a cobertura da última Copa do Mundo de Futebol em palestra neste domingo.
“Do ponto de vista jornalístico, fora os jogos, o grande embate da Copa foi o racha entre a Globo e Dunga. Um post no Terra chegou a ter mais de 16 mil comentários”, avaliou Bob.
O jornalista apontou uma falha na cobertura da Copa pela imprensa brasileira: a influência psicológica da religiosidade no desempenho dos jogadores.
“Voltei da África no avião da seleção e, no fundo com os jornalistas, havia um pastor evangélico que atendia o Lúcio e outros seis jogadores. Não estou dizendo que essa presença teve uma influência positiva ou negativa, mas foi um assunto que todos nós cobrimos mal. Faltou determinação, morder o osso.”
A professora Marliva conta que, depois do congresso, vai ficar um sentimento de “vazio”.
“Não sei o que pensar depois do Intercom, porque, desde que nascemos como Centro, a palavra de ordem tem sido exatamente essa: Intercom.”
Para os alunos e pesquisadores que participaram do Congresso, o sentimento vai ser exatamente o oposto: o de que saíram de Caxias com a bagagem cultural e acadêmica um pouco mais cheia.
Foto: Maicon Damasceno/O Caxiense
17h20 | 6.set.10
















Deixe seu comentário: